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domingo, 12 de junho de 2011

Diário de uma perereca depilada!


"Tenta sim. Vai ficar lindo." 
Foi assim que decidi, por livre e espontânea 
pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia 
me sentir dez quilos mais leve, mas acho que pentelho não pesa tanto 
assim. 
Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca 
mais ia querer outra coisa. 
Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me 
avisaram que isso aconteceria. 
Mas não esperava que por trás disso, e bota por 
trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética. 
- Oi, queria marcar depilação com a Penélope. 
- Vai depilar o quê? 
- Virilha. 
- Normal ou cavada? 
Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha 
cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito. 
- Cavada mesmo. 
- Amanhã, às.... Deixa eu ver...13h? 
- Ok. Marcado. 
Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei 
coisas leves porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas 
bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. 
E lá fui. 
Assim que cheguei, Penélope estava esperando. 
Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal. 
Pediu que eu a seguisse até o local onde o 
ritual seria realizado. 
Saímos da sala de espera e logo entrei num longo 
corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por 
trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas. 
Uma mistura de Calígula com O Albergue. 
Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem 
desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma 
maca, cercada de cortinas. 
- Querida, pode deitar. 
Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada 
de calcinha na maca. 
Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de 
costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de 
tortura. 
Vi coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de 
cortar cabelo, uma pinça. 
Meu Deus, era O Albergue mesmo. 
De repente, ela vem com um barbante na mão. 
Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei 
surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a 
amarrou bem forte. 
- Quer bem cavada? 
- É... é, isso. 
Penélope, então, deixou a calcinha tampando 
apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, 
esqueci de apresentar antes. 
- Os pelos estão altos demais. Vou cortar um 
pouco, senão vai doer mais ainda. 
- Ah, sim, claro. 
Claro nada, não entendia p-o-r-r-a nenhuma do 
que ela fazia. Mas confiei. 
De repente, ela volta da mesinha de tortura com 
uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça). 
- Pode abrir as pernas. 
- Assim? 
- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra 
os joelhos e depois joga cada perna pra um lado. 
- Ar-re-ga-nha-da, né? 
Ela riu. Que situação. 
E então, Pê passou a primeira camada de cera 
quente em minha virilha virgem. 
Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar. 
Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu 
corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. 
Não tive coragem de olhar. Achei que havia 
sangue jorrando até o teto. 
Até procurei minha bolsa com os olhos, já 
cogitando a possibilidade de ligar para o Samu. 
Tudo isso buscando me concentrar em minha 
expressão, para fingir que era tudo supernatural. 
Penélope perguntou se estava tudo bem quando me 
notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse 
mais. 
- Tudo ótimo. E você? 
Ela riu de novo como quem pensa "que garota 
estranha". Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter 
clientes. 
O processo medieval continuou. A cada puxada eu 
tinha vontade de espancar Penélope. Lembrava de minhas amigas 
recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande 
sacanagem, só pra me fazer sofrer. 
Todas recomendam a todas porque se cansam de 
sofrer sozinhas. 
- Quer que tire dos lábios? 
- Não, eu quero só virilha, bigode não. 
- Não, querida, os lábios dela aqui ó. 
Não, não, para tudo. Depilar os tais grandes 
lábios? Putz, que ideia. 
Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo. 
- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor. 
Não bastasse minha condição, a depiladora do 
lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail. 
- Olha, tá ficando linda essa depilação. Menina, 
mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto. 
Se tivesse sobrado algum pen-te-lhi-nho, ele 
teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. 
Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. 
"Me leva daqui, Deus, me tele transporta". Só voltei à terra quando 
entre uns blá-blá-blás ouvi a palavra pinça. 
- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá? 
- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada. 
Estava enganada. 
Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe 
arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la. 
Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir. 
- Vamos ficar de lado agora? 
- Hein? 
- Deitar de lado pra fazer a parte cavada. 
Pior não podia ficar. Obedeci a Penélope. Deitei 
de ladinho e fiquei esperando novas ordens. 
- Segura sua bunda aqui? 
- Hein? 
- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar 
da outra banda. Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que 
Pê via. Mas ela estava de cara para ele, o "olho que nada vê". 
Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. 
Quis chorar, gritar, pei-dar na cara dela, como se pudesse envenená-lá. 
Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido 
perguntaria: 
- Tudo bem, Pê? 
- Sim... sonhei de novo com o c-u de uma cliente. 
Mas de repente fui novamente trazida para a 
realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu Twin 
Peaks. 
Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou 
com vergonha da situação. 
Sei que ela deve ver mil c-us por dia. Aliás, 
isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do 
meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo 
lá? Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei 
que a bun-da tivesse ido toda embora. 
Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. 
Com certeza não havia nem uma preguinha mais pra contar a história. 
Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. 
Sons guturais, xin-ga-men-tos, preces, tudo junto. 
- Vira agora do outro lado. 
Por-ra.. Por que não arrancou tudo de uma vez? 
Virei e segurei novamente a bandinha. E então, piora. A broaca da 
salinha do lado novamente abre a cortina. 
- Penélope empresta um chumaço de algodão? 
Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus 
olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. 
Estava me depilando pra quem? 
Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele 
jeito. Só mesmo Penélope. 
E agora a vizinha inconveniente. 
- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha. 
- Máquina de quê?! 
- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem 
campo de futebol. 
- Dói? 
- Dói nada. 
- Tá, passa essa me-rda... 
- Baixa a calcinha, por favor. 
Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a 
calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o 
choque foi substituído por uma total redenção. 
Ela viu tudo, da perereca ao c-u. O que seria 
baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável. 
- Prontinha. Posso passar um talco? 
- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha. 
- Tá linda! Pode namorar muito agora. 
Namorar...namorar... eu estava com sede de vingança. 
Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. 
Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas. 
Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso. 
Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada e matar o 
primeiro homem que ver e não comentar absolutamente nada.!!! 
Não fiz nada disso... Um mês depois... 
- Normal ou cavada? 
Coisas de perereca, vai entender.. 
Gostou né???

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Fonte: To Hiena

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